
O cotidiano dos nossos melhores amigos de 4 patas :)
O pequeno filhote e o cão mais velho estavam deitados à sombra, sobre a grama verde, observando os reencontros. Às vezes um homem, às vezes uma mulher, às vezes uma família inteira se aproximava da Ponte do Arco-Íris, eram recebidos por seus animais de estimação com muita festa e juntos cruzavam a ponte.
Um filhotinho cutucou um cão mais velho: “Olha lá! Tem alguma coisa maravilhosa acontecendo!”. O cão mais velho se levantou e latiu: “Rápido! Vamos até a entrada da ponte!”. “Mas aquele não é o meu dono”, choramingou o filhotinho; no entanto obedeceu.
Milhares de animais de estimação correram em direção àquela pessoa vestida de branco que caminhava em direção à ponte. Conforme aquela pessoa iluminada passava entre os animais, eles o reverenciavam em sinal de amor e respeito. A pessoa finalmente chegou à ponte e foi recebida por uma multidão de animais que lhe faziam muita festa. Juntos, eles atravessaram a ponte e desapareceram.
O filhotinho ainda atônito perguntou baixinho: "Aquele era um anjo?". "Não, filho", respondeu o cão mais velho. "Aquele era mais que um anjo. Era uma pessoa que trabalhava ajudando os animais."
Autoria Desconhecida
Minhas posses materiais são poucas e deixo tudo para você.
Deixo para você uma coleira mastigada numa das extremidades em que faltam dois botões, uma desajeitada cama de cachorro e uma vasilha de água que está rachada na borda.
Deixo para você a metade de uma bola de borracha, uma boneca rasgada que você vai encontrar debaixo da geladeira, um ratinho de borracha sem apito que está debaixo do fogão da cozinha e uma porção de ossos enterrados no canteiro de rosas e sob o assoalho da minha casinha.
Além disso, deixo para você as lembranças que, aliás, são muitas.
Deixo para você a memória de dois enormes e meigos olhos marrons, de uma caudinha curta e espetada, de um nariz bem molhado e de algumas choradeiras atrás da porta.
Deixo para você uma mancha no tapete da sala de estar, bem do lado da janela, de quando, nas tardes de inverno, eu me apropriava do lugar e me enrolava feito uma bolinha para pegar um pouco de sol.
Deixo para você um tapete meio esfarrapado em frente da tua cadeira preferida que nunca foi consertado com o tipo de linha certo. É verdade, eu o mastiguei todinho quando ainda tinha cinco meses de idade, lembra?
Deixo para você um esconderijo que fiz no jardim embaixo dos arbustos perto da varanda da frente, onde eu encontrava abrigo nos dias de verão. Ele deve estar cheio de folhas agora e por isso talvez você tenha dificuldade em encontrá-lo. Sinto muito!
Deixo só para você, o barulho que eu fazia ao sair correndo sobre as folhas de outono quando passeávamos pelo bosque.
Deixo também só para você, a lembrança de momentos matinais, quando caminhávamos juntos à margem do riacho e você me dava biscoitos de baunilha.
Recordo-me das tuas risadas, quando não consegui alcançar um coelho impertinente.
Deixo-lhe como herança minha devoção, minha simpatia, meu apoio em tempos que as coisas não iam bem, meus latidos nos momentos que você levantava a voz aborrecido e a minha frustração por você ter ralhado comigo.
Eu nunca fui à igreja e nunca escutei um sermão. No entanto, mesmo sem haver falado sequer uma palavra em toda a minha vida, deixo para você o exemplo de paciência, amor e compreensão.
Autoria Desconhecida
Hoje encontrei seu cão. Não, ele não foi adotado por ninguém. Aqui por perto a maioria das pessoas já tem vários cães e quem não tem nenhum não quer um cão. Eu sei que você esperava que ele encontrasse um bom lar quando o deixou aqui, mas ele não encontrou. Quando o vi pela primeira vez ele estava bem longe da casa mais próxima, sozinho, com sede, magro e mancando por causa de um machucado na pata.
Eu queria tanto ser você no momento em que parei na frente dele! Então poderia ver sua cauda abanando e seus olhos brilhando ao pular em teus braços, pois ele sabia que você o encontraria, sabia que você não o esqueceria. Poderia ver o perdão nos olhos dele por todo sofrimento e dor que passara na interminável jornada à tua procura. Mas eu não era você. E apesar de minhas tentativas de convencê-lo a se aproximar, os olhos dele viam um estranho. Ele não confiava em mim. Ele não se aproximava.
Então ele se virou e seguiu seu caminho, pois tinha certeza de que o caminho o levaria a você. Ele não entendia porque você não o estava procurando. Ele só sabia que você não estava lá, sabia que precisa te encontrar e que isso era mais importante do que comida, água ou o estranho que poderia lhe dar essas coisas.
Percebi que seria inútil tentar persuadi-lo ou segui-lo. Nem o nome dele eu sabia! Fui para casa, enchi um balde com água, coloquei comida numa vasilha e voltei para o lugar em que o encontrara. Não havia nem sinal dele, mas deixei a água e a comida debaixo da árvore onde ele estivera descansando ao abrigo do sol. Veja bem, ele não é um cão selvagem. Ao domesticá-lo, você tirou dele o instinto de sobrevivência nas ruas. Ele só sabe que precisa caminhar o dia todo. Ele não sabe que o sol e o calor podem custar-lhe a vida. Ele só sabe que precisa te encontrar.
Aguardei na esperança de que voltasse a buscar abrigo sob a árvore, na esperança de que a água e a comida fizessem com que confiasse em mim; assim poderia levá-lo para casa, cuidar do machucado da sua pata, dar-lhe um canto fresco para se deitar e ajudá-lo a entender que você não faria mais parte vida dele. Ele não voltou naquela manhã e a água e a comida permaneceram intocadas. Fiquei preocupada. Você deve saber que poucas pessoas tentariam ajudar teu cão. Algumas o enxotariam, outras chamariam a carrocinha que lhe daria o destino que você talvez achasse que o libertaria de todo o sofrimento pelo qual porventura estivesse passando.
Voltei ao mesmo lugar antes do anoitecer e não o encontrei. Na manhã seguinte, retornei e vi que a água e a comida continuavam intactas. Ah, se você estivesse aqui para chamá-lo pelo nome, tua voz lhe é tão familiar! Comecei a caminhar na direção que ele havia tomado antes, mas sem muita esperança de encontrá-lo. Ele estava tão desesperado para te encontrar, que seria capaz de caminhar muitos quilômetros em 24 horas.
Horas mais tarde e a uma boa distância do lugar onde o vira pela primeira vez, finalmente encontrei seu cão. A sede já não o atormentava, sua fome fora saciada, suas dores haviam passado, o machucado da pata não o atormentaria mais. Seu cão estava morto. Livrara-se do sofrimento.
Ajoelhei-me ao lado dele e amaldiçoei você por não estar ali antes para que eu pudesse ter visto brilho naqueles olhos vazios, nem que só por um instante. Rezei, pedindo que sua jornada o tivesse levado ao lugar que imagino você esperava que ele encontrasse. Se você soubesse por quanta coisa ele passou para chegar lá... E sofri, sofri muito, pois sei que se ele acordasse agora e se eu fosse você, os olhos dele brilhariam ao vê-lo e ele abanaria o rabo perdoando-o por tê-lo abandonado.
Autoria Desconhecida
Tradução: Silvia D. SchirosEu lembro da primeira vez que te vi, saindo do avião, coberta de baba, se escondendo atrás da tua caixa. Você estava com medo do mundo, o mundo era muito grande e frio. Eu te estendi minha mão e você a beijou. Eu te pedi para vir comigo e ver o mundo. E só porque eu te pedi, você veio. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A ACREDITAR.
Eu lembro de você filhote ainda, rodeada de brinquedos, colocados lá somente para você. Eu ria enquanto você balançava a cabeça e latia me convidando a brincar. Você pegava minha meia ou meu sapato e fugia só para eu te perseguir até você me devolver o que tinha pegado. Eu me lembro daqueles dias. VOCÊ ME ENSINOU A BRINCAR.
Eu lembro de você adulta, grande e forte. Eu via você saudar visitas abanando o rabo com o olhar atento. Eu sorria e me sentia seguro, pois você estava ao meu lado. Eu me lembro daqueles dias. VOCÊ ME ENSINOU A TER CORAGEM.
Eu lembro de você como uma nova mamãe rodeada de filhotinhos. Sentei ao teu lado, te mostrei um por um e vi como você os inspecionou aprovando-os. Você os limpou e tomou conta deles, embora cansada e desgastada. Eu me lembro daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A SER FORTE.
Eu lembro de você como uma mãe rodeada de filhotes crescendo. Eu ria enquanto você fazia caretas de dor, quando um deles te mordia e tentava te fazer brincar. Eu via você segurá-los e limpá-los, enquanto eles tentavam se livrar. Eu me lembro daqueles dias. VOCÊ ME ENSINOU A TER PACIÊNCIA.
Eu lembro de você velha e cansada. Muitas vezes quis te abraçar e chorar. Você me olhava com aqueles olhos marrons claros tão queridos e familiares. Um dia, a tua alma falou com a minha, você deixou este mundo e eu murmurei "Adeus". E mesmo naquele momento, com meus os olhos ardendo de tanto chorar, você me ensinou uma última lição. Eu sempre me lembrarei daquele dia. VOCÊ ME ENSINOU A AMAR.
De Greg Hibler - Leviathans Lair Mastiffs